quarta-feira, 26 de maio de 2010

APRESENTAÇÃO

A Ginástica Rítmica e os Trampolins são modalidades que remontam já aos primórdios da Humanidade e hoje são praticada em todo o Mundo por milhões de pessoas.
Após o primeiro desafio de elaborar um blog sobre a Ginástica Acrobática e Ginástica Artística, criamos uma segunda pesquisa sobre a Ginástica Rítmica e Trampolins. Criamos neste blog os textos, que podem ser consultados de acordo com o índice da barra lateral direita.
Tal como os blogs anteriormente criados por nós (link na barra lateral), também este, nasce para dar a conhecer um pouco sobre a modalidade, abrindo espaço de partilha para todos a dialogarem connosco, ora através de comentários deixados directamente nas postagens, ora através do mail disponível na barra lateral direita. A opinião de todos é importante...

1. BREVE ABORDAGEM HISTÓRICA

Não é fácil definir a verdadeira origem da Ginástica Rítmica (GR) como modalidade desportiva porque, tal como em todos os desportos a sua origem é confusa, diversa, não regulamentada e pouco relatada na pré-história e até mesmo na Antiguidade.
Pensa-se que a GR surgiu na Europa Central relacionada com a evolução dos diferentes sistemas gímnicos, “a corrente rítmica” da ginástica e foi inicialmente designada como “Ginástica Rítmica Moderna” (Bobo e Sierra, 1989 in Cardoso, 2009).
É com G. Noverre (1722-1810) e François Delsarte (1811-1871) que surgem os elementos da dança relacionados com a GR. A esta combinação permite usar as diversas partes do corpo humano como forma de exprimir a sua estética, sendo por isso essencialmente uma actividade feminina. É uma força de expressão surgiu não apenas como método da ginástica mas também como auxílio aos actores da época para encontrarem posições naturais e gestos mais expressivos. (Llobet, 1998 in Cardoso).
Segundo Carvalho (2009) após vários anos de estudo François Delsartes tentou estabelecer uma certa relação entre as emoções do homem, seus gestos e mímica, por ele redigidos nos “princípios da ciência estética”, surgindo a GR.
As obras de Delsarte e seus discíplos constituiram como base para a ginástica elaborada por L. Alexéeva, muito popular na Rússia nos anos 30. O seu sistema de “Ginástica Harmoniosa” presta muita atenção às composições originais, improvisações e bailes desportivos (Lisitkaya, 1995 in Carvalho, 2009).
Emil Jacques Dalcrouse (1865-1950), séc. XX, desenvolveu um sistema denominado de Eurítmica que definiu como a arte de expressar a música através do movimento do corpo (Bobo e Sierra, 1989 in Cardoso, 2009). Considerado o profesor de teoria musical porque o seu método consistia em colocar o corpo humano em movimento ao serviço da expressão, da emoção e da construção musical.
A bailarina Isadora Duncan (1878-1929), contribuiu para o processo de criação da Ginástica Moderna. Defendia que a ginástica era a base de toda a educação física e preparava os seus alunos de dança com exercícios gímnicos baseados na naturalidade, nos quais os giros, os saltos e as ondulações do corpo eram fundamentais (Llobet, 1998 in Cardoso, 2009).
Rudolf Bode (1881-1971) cria a “Ginástica Moderna” através das influências que se faziam sentir por toda a Europa Central. Este além de utilizar a dança em simbiose com os movimentos gímnicos incluia no seu método aparelhos manuais como o bastão, a bola e o tambor (Bobo e Sierra, 1989 in Cardoso, 2009).
A obra de R. Bode chama atenção a toda a Europa e rapidamente se alastra. Seguidor prepotente de R. Bode foi Heirich Medau (1890-1974) introduziu à música, à dança e aos movimentos gímnicos os aparelhos portáteis, como a bola, o arco e maças, constituindo um conjunto harmonioso. As suas teorias e sistemas de movimento foram divulgados nos Jogos Olímpicos de Berlim (1936) (Llobet, 1998 in Cardoso, 2009).
Tal como descrito anteriormente a GR surgiu não regulamentada. Posteriormente surgiu um Código de Pontuação (CP) que foi desenvolvendo bases, regras e normas específicas até se definir aos dias de hoje. Segundo Carvalho (2009) podemos destacar 3 períodos de desenvolvimento da GR:
1- inicialmente caracterizava-se pela formação da GR como meio de Educação Física para as mulheres (1947-1963);
2- iniciou-se o CP, criou-se uma comissão técnica de GR conjunta com o comité técnico feminino da F.I.G. Desde então realizam-se sistematicamente competições internacionais, incluindo os Campeonatos do Mundo (desde 1963) e Europeus (desde 1989);
3- a GR foi incluida nos Jogos Olímpicos, o que se prolonga até aos dias de hoje (1984).

2. A GINÁSTICA RÍTMICA COMO MODALIDADE

A GR é um desporto que visa não só o rendimento, mas também a produção de um espectáculo, que incorpora características da dança, da ginástica artística e de actividades desportivas de manipulação e que visa a combinação perfeita entre a música, o movimento corporal e o movimento dos aparelhos (Cardoiso, 2009).
Segundo Carvalho (2009), a GR de competição diferencia-se de outras modalidades pela manipulação dos aparelhos portáteis (cordas, bolas, arcos, maças e fitas). Pelo valor simbólico e expressivo dos movimentos corporais podemos considerar que é uma modalidade essencialmente feminina.
A GR para alguns autores divide-se em duas vertentes dimensionais: uma de dimensão desportiva e outra de dimensão artística. Diz-se que é desportiva por abranger um elevado grau de competição. A GR está evidentemente sujeita às leis do desporto sendo regulamentada por um código muito específico (Código de Pontuação FIG), no qual se determinam um conjunto de regras e normas que devem ser respeitadas. A dimensão artística é extremamente evidente pois é a que manifesta o prazer estético que proporciona ao espectsdor. Nesta dimensão, a ginástica converte-se numa manifestação artística que, cumprindo os princípios da harmonia, procura expressar e comunicar emoções ideais.
Segundo Cardoso (2009) a música surge da perfeita combinação entre a músuca, o movimento corporal expressivo e o movimento dos aparelhos portáteis.
A música é o que gera a ideia e estilo dos elementos de ligação e suas combinações, para além de ser o que determina a estrutura global marcando a velocidade e o tempo de execução dos movimentos, estimulando a expressividade da ginasta (Cardoso, 2009).
O movimento dos aparelhos portáteis (arco, bola, corda, fita, maças) exige uma cumplicidade permanente entre a ginasta e o aparelho (Mendizábal, 2000 in Cardoso, 2009). A ginasta com o treino e experiência vai criando uma simbiose perfeita entre o seu corpo e o aparelho de tal forma que, nalguns momentos, este parece totalmente integrado como mias um segmento corporal e, noutros, opondo-se ou distanciando-se para pôr em relevo o movimento corporal (Bobo, 1998 in Cardoso, 2009).



Para Cardoso o aumento do reportório dos movimentos corporais das ginastas foi enrenquecido devido ao aumento das capacidades físicas das atletas e pelo carácter inovador da GR, graças à qual surgem novas formas de movimento, aspecto que se bonifica com a originalidade.
Os elementos corporais são a base de todos os exercícios da GR. Devem ser realizados em coordenação com o manejo do aparelho que obrigaram a criação de um Código de Pontuação. É através deste código que se faz uma apreciação ao nível do valor do exercício (as dificuldades corporais com o manejo do aparelho determinam o grau de dificuldade; e ao nível da qualidade de execução).
Na GR o equipamento mais utilizado pelas ginastas é o fato completo de lycra (com ou sem mangas; com ou sem saia) mas também é possível utilizar maillots (com ou sem manga; com ou sem saia). Para dar ênfase à estética das suas represetações a ginastas habitualmente combinam as cores do fato com as cores dos aparelhos. O tempo de cada exercício e os escalões variam da seguinte forma:

3. CARACTERIZAÇÃO DOS APARELHOS

3.1. A Corda
3.2. O Arco
3.3. A Bola
3.4. As massas
3.5. A Fita

3.1. A CORDA

É o aparelho de maior execução dinâmica mas possivelmente o menos vistoso dos cinco da Ginástica Ritmica (Cardoso,2009).
A espectacularidade e a dificuldade do manejo da corda aumenta consoante a alteração e interacção dos diferentes grupos de elementos. Podem realizar – se:
- com corda aberta ou dobrada;
- com saltos e saltitares;
- com lançamentos e recepções;
- com escapadas de uma ponta;
- com rotações ou giros;
- com uma ou duas mãos;
- com ou sem deslocamentos;
- em diferentes direcções e planos;
- com balanços, circunduções, movimentos em oito, velas, expirais, enrolamentos ou batimentos e moinhos.
Todos estes movimentos devem seguir determinadas técnicas genéricas. O ginasta deve manter o desenho da corda e respeitar a continuidade do movimento não permitindo o contacto da corda no solo ou no corpo.
Devido ao elevado grau de execução dos diferentes movimentos, a corda deve ter algumas características específica:
- deve ser leve e flexível;
- o tamanho da corda deve ser proprcional à altura do ginasta;
- as extremidades podem ter nós e serem cobertas de material anti-deslizante de cor neutra;
- o diâmetro da corda pode ser uniforme ou variável (mais grossa na parte central), não ultrapassando os 10cm de diâmetro;

Grupos Fundamentais:
- Saltos; Saltitares.

Outros Grupos:
- Balanços; Circundações; Rotações; Movimentos em oito; Lançamentos; Escapadas.

3.2. O ARCO

A consistência do material, assim como a sua forma redonda, oferece à ginasta possibilidades infinitas de manipulação. Só a relação perfeita entre o dinamismo e a velocidade do movimento do aparelho com a amplitude articular corporal permite a correcta execução técnica (Cardoso, 2009).
Assim sendo, temos vários grupos de elementos técnicos tais como:
- as passagens através e por cima do arco;
- os rolamentos no corpo ou no solo; as rotações em torno de uma mão ou de outra parte do corpo;
- as inversões;
- os lançamentos e recpções;
- os balanços;
- as circunduções e os movimentos em oito.
Todos os elementos técnicos podem e devem ser executados com uma ou duas mãos, em diferentes planos e direcções, em apoio sobre um ou dois pés, etc.
Fisicamente o arco deve possuir as seguintes características:
- deve ser de madeira ou de material plástico;
- deve ser rígido para não se dobrar;
- possui um diâmetro inferior a 80/90 cm;
- deve possuir um peso minímo de 300g;
- normanlmente é coberto por adesivo colorido;
- pode ter qualquer cor excepto dourado, prateado e bronzeado (Carvalho, 2009).

Grupos Fundamentais:
- Rolamentos no solo e no corpo; Rotações (na mão ou noutra parte do corpo; em torno do eiuxo do arco); Lançamentos.

Outros Grupos:
- Circundações; Movimentos em oito; Passagem por dentro ou por cima do arco.


3.3. A BOLA

Este aparelho é o que cria maior simbiose no movimento corpo-aparelho os seus elementos técnicos baseam-se numa coordenação corporal específica do movimento da bola no prolongamento do corpo.
A bola deve manter-se em qualquer parte do corpo, principalmente na palma da mão, como se estivesse em permanente equilíbrio. Os elementos técnicos que se podem executar são:
- os balanços;
- as circundoções;
- os movimentos em oito;
- as inversões com ou sem movimento circular dos braços;
- rotações da mão em torno da bola;
- lançamentos e recepções;
- rolamentos sobre o corpo ou no solo.
Na execução destes elementos técnicos a bola deve ressaltar no corpo ou no solo, os batimentos devem ser activos acompanhando o movimento da bola com a mão. Nos lançamentos é necessário deixar a bola sair da mão passando a ponta dos dedos efectuando recpções sem barulho e novamente pela ponta dos dedos.
A bola, tal como todos os aparelhos, deve obdecer a um conjunto de características específicas:
- deve ser de plástico flexível (material sintético);
- deve ter um diâmetro entre 18 a 20 cm;
- deve pesar no minímo 400g;

Grupos Fundamentais:
- Lançamentos; Batimentos Activos; Rolamentos no solo e no corpo.

Outros Grupos:
- Batimentos passivos;
- Circundações; Movimentos em oito;
- Bola em equilíbrio sobre uma parte do corpo.


3.4. AS MASSAS

Este aparelho é de difícil manejo pela sua pluralidade e por requerer uma coordenação ambidestra, delicadeza com as mãos, ritmo, precisão e boas recuperações.
Os elementos técnicos que se podem executar são:
- Rolamentos;
- Circulos;
- Curvas;
- Figuras assimétricas.
Os elementos de equilíbrio corporal são executados em meia-ponta ou sobre um joelho devendo ser visivelmente mantido, ter forma ampla, fixa e bem definida.
As massas têm um determinado conjunto de características bem definidas:
- são feitas de madeira ou de plástico;
- devem ter entre 40 e 50cm e pesar pelo menos 150mg cada;
- são constituídas por três partes distintas, sendo a parte mais grossa o corpo, a parte mais fina de pescoço e a parte formada por uma esfera de 3 cm de diâmetro é denominada de cabeça.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

3.5. A FITA

Na nossa opinião este é o aparelho de mais difícil manejo pelo seu grande comprimento. Esta característica confere-lhe também uma grnade espectacularidade, pois através dos seus 6 metros de cumprimento é possível efectuar belas imagens de variadas formas no espaço aéreo e em volta do corpo da ginastas. Os elementos técnicos efectuados com este aparelho designam-se de:
- Serpentinas;
- Espirais;
- Arremessos.
- Pivots.
Todos estes elementos técnicos exigem, devido às caracerísticas físicas do aparelho, da ginasta uma execelente coordenação, leveza, agilidade e plasticidade. As suas características físicas deve seguir os seguintes parâmetros:
- Deve possuir uma base de agarre que pode ser feito de madeira, bambu, plástico ou fibra de vidro possuindo 0,5 cm de diâmetro e entre 50 a 60 cm de comprimento.
- A fita propriamente dita deve ser feita de cetim ou de outro material semelhante sendo que o peso não pode ultrapassar 35 mg e deve ter no máximo 4 a 6 cm de largura e 6 metros de comprimento (para seniores).


4. O CÓDIGO DE PONTUAÇÃO

Como foi anteriormente descrito, a Ginástica Rítmica é uma modalidade espectacular que engloba várias disciplinas. Seus movimentos harmoniosos entre o corpo e o objecto bem como a sincronização da dança com a música fazem deste desporto uma modalidade complexa. Na sua evolução a GR ultrapassou a dimensão meramente estética e expositiva do corpo da mulher para uma dimensão não só artística como também competitiva.
No que se refere à competição, o nível das ginastas e a diferenciação das suas execuções é avaliado através de um código de conduta muito específico, chamado o Código de Pontuação. O Código de Pontuação (CP) é elaborado pelo Comité Técnico da FIG. O CP da FIG é utilizado em todos os eventos de Ginástica a nível internacional tal como no Campeonato da Europa, Campeonato do Mundo e nos Jogos Olímpicos. As Federações Nacionais possuem um código interno adequado ao nível dos ginastas com o objectivo de impulsionar o desenvolvimento inicial da Ginástica Artística no noso país.
O CP é actualizado de 4 em 4 anos após cada Ciclo Olímpico. É realizada uma análise muito cuidadosa e profunda devido à tendência do desenvolvimento das capacidades físicas e motoras das ginastas.. Um dos objectivos deste código é a estipulação de normas de funcionamento de todos os intervenientes na competição: ginastas, treinadores e juízes. Mas o principal pressuposto do CP passa por uniformizar as regras de pontuação de forma a permitir um julgamento mais objectivo por parte dos juízes.
Verifica-se no código em vigor, que as suas linhas orientadoreas são cuidadosamente pensadas possibilintando a utilização de um maior e variado número de elementos de dificuldade de aparelho, para que as ginastas que possuem boas perfomances de manuseamento dos aparelhos portáteis sejam recompensadas (Cardoso, 2009).
O ajuizamento é realizado por um conjunto de normas através das quais os juízes procuram erros de postura, execução, etc., e avaliam o nível de dificuldade dos determinantes gestos técnicos de forma a diferenciar o vencedor. As normas de classificação dividem-se então em duas fases distintas: composição e execução.

5. AS EXIGÊNCIAS GERAIS DE EXECUÇÃO E DE COMPOSIÇÃO

De uma forma geral a GR exije um determinado número de requisitos ao nível da composição e execução de forma a avaliar as atletas.
Ao nível da técnica os elementos corporais que fazem parte dos elementos fundamentais, elementos de dificuldade, (saltos, equilíbrios, pivots, elementos de flexibilidade, ondas) bem como os elementos de ligação (deslocamentos, saltitares, balanços, circunduções, voltas) podem ser realizados em diversas direcções, em diferentes planos, com ou sem deslocamentos, em apoio sobre um ou dois pés, coordenados com movimentos dos braços.
Todos os elementos corporais que fazem parte da composição de um exercício da GR com aparelho devem respeitar as regras de execução próprias da ginasta: os movimentos do corpo devem ser ser executados de forma contínua, alternadamente em contracção e descontracção, havendo uma estreita ligação entre o dinamismo, amplitude, a velocidade de execução, o ritmo da musica havendo uma participação efectiva de todo o corpo.
Todos os elementos corporais usados na composição os exercicios devem ser escolhidos entre os seus diferentes grupos, ou seja, deve haver um grande leque de escolha de elementos corporais. É de salientar que estes elementos devem ser escolhidos em função da técnica especifica de cada aparelho e devem ser executados em coordenação com o manejo do aparelho.
Segundo o código de pontuação de 2001, os elementos corporais (saltos, equilibrios, pivots, elementos de flexibilidade e ondas) estão quantificados de A a E. As combinações de dificuldades (A + B) contam como uma dificuldade e o seu valor é dado pela adição do valor de cada uma das dificuldades que compõem a combinação até a um máximo de um ponto (Carvalho, 2009).
Nota: apenas os elementos corporais do grupo fundamental é que fazem parte deste sistema de avaliação.

6. NOTA DE COMPOSIÇÃO E NOTA DE EXECUÇÃO

NOTA DE COMPOSIÇÃO
A nota de composição é dada mediante o valor técnico (1) e pelo valor artístico (2).
1) A nota de valor técnico é determinada por:
- Exigências gerais;
- Número e nível de dificuldades (ver quadro valor das dificuldades).

2) A nota de valor artístico é determinada por:
- Exigências gerais;
- Coreografia (unidade do exercício, equilíbrio de trabalho entre a mão direita e mão esquerda, escolha e variedade dos elementos corporais, elementos acrobáticos, variedade dentro da composição; ocupação do praticável);
- Acompanhamento musical e pelas bonificações (originalidade coreográfica, originalidade da música, mestria);
- Bonificações (originalidade coreográfica, originalidade da música, mestria).

NOTA DE EXECUÇÃO
A nota de execução é determinada consoante a prestação das ginastas ao nível da:
- Execução (técnica geral, técnica com aparelho, técnica corporal, execução rítmica);
- Bonificações (expressividade, virtuosismo).

7. CALCULO DA NOTA FINAL

A nota final é dada pelo sumatório das dadas pelo Júri A1, Júri A2 e Júri B. Assim sendo soma-se a nota de valor técnico com a nota de valor artístico (notas de composição) e por fim com a nota de execução.

8. O JÚRI

Os elementos do júri estão divididos em dois grandes grupos, o júri A e o júri B. O júri A é chamado o Júri de Composição pelas características que avalia. Está dividido em dois júris, o A1 e o A2. O júri B é chamado o júri de Execução por determinar a nota de execução da atleta consoante o critérios definidos pela nota de execução.

1. BREVE ABORDAGEM HISTÓRICA

No que concerne à história do Trampolim não se sabe exactamente a data do seu surgimento. Pode dizer-se que ocorreu uma sequência evolutiva.
Sabe-se que, à centena de anos, na Idade Média os acrobatas de circo, utilizavam tábuas de molas nas suas apresentações e os trapezistas realizavam novos saltos a partir do impulso realizado da rede de segurança.
Estas podem ou não ser as verdadeiras origens do Trampolim, mas é certo que no inicio desse século havia apresentações que usavam uma "cama de segurança" para distrair as platéias. A cama de segurança era, na realidade, um pequeno Trampolim coberto com roupas de cama sobre o qual os artistas desempenhavam a maior parte de seus atos.
Referenciando datas e factos concretos, podemos considerar que a Ginástica Rítmica nasceu nos Estados Unidos. Foi em 1936 que o Americano George Nissen fez um trampolim na sua garagem e o usou para o ajudar nas suas actividades de queda e mergulho. Segundo Carvalho (2009) George Nissen, conjuntamente com a sua mulher e um grupo de Professores de Educação Física, elaborou esquemas de treino e textos de apoio, com o intuito de divigulgar o aparelho e demonstrar os diferentes exercícios possíveis de se realizar no Trampolim.
Na segunda guerra mundial, também se utilizou o Trampolim. A escola da marinha e aeronáutica dos E.U.A. aplicou o uso do Trampolim no treino dos seus pilotos e navegadores. Oportunizando-lhes à prática concentrada em orientação, de uma forma que nunca fora possível de ser trabalhada antes. Depois da guerra, o desenvolvimento do programa espacial trouxe novamente o Trampolim, para contribuir no treino tanto de astronautas americanos quanto de soviéticos, dando a experiência de posições corporais variadas em vôo.
Em Londres na década de 60 ocorreram as primeiras competições internacionais, mais de 54 países já disputaram vinte e um campeonatos mundiais. É também nesta decada que várias Federações vão sendo formadas. Foi precisamente em 1964 que foi fundada a Federação Internacional de Trampolins (FIT) e que se realizou o 1º Campeonato do Mundo em Londres. A partir de 1968 os Campeonatos do Mundo passaram a realizar-se de dois em dois anos alternando com os Campeonatos da Europa.
Em Portugal, os trampolins são uma modalidade relativamente recente. A primeira prova nacional foi realizada em 1976 sob a alçada de Federação Portuguesa de Ginástica que superintendeu a modalidade até 1991, altura em que é fundada a Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acrobáticos (FPDA), (Carvalho, J. 2009).
Segundo Carvalho (2009), os Trampolins são ainda uma modalidade gímnica em grande desenvolvimento técnico devido ao facto de pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000, constarem do programa Olímpico, dando-se a confirmação como modalidade Olímpica apenas em Trampolim Individual nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004.
Portugal esteve presente em Atenas (2004) onde Nuno Merino arrecadou um execelente 6º lugar.

2. OS TRAMPOLINS COMO MODALIDADE

O Trampolim é uma actividade naturalmente espectacular com muito rítmo no qual os seus participantes podem disfrutar do seu poder elástico proporcionando diversão e satisfação. A sua deformação elástica é tal que pode permitir aos seus executantes atingir uma altura superior a 7 metros.
O Trampolim é visto como um desporto por si só estando incluído no programa olímpico, no entanto constitui também um excelente método de treino para outras actividades devido às suas características elásticas. Assim, é possível usá-lo em actividades de treino no qual o homem desafia a própria gravidade aterrando sobre os pés, sentado, de frente ou costas, entre outras posições de aterragem.
Como modalidade Olímpica a rotina de competição dos Trampolins efectua-se em 4 aparelhos distintos, nos quais os atletas executam múltiplos saltos mortais e piruetas:

1. Trampolim (mais conhecido por cama elástica): está dividido em Trampolim individual ou sincronizado. Neste último dois atletas realizam em simultâneo o mesmo exercício cada um no seu trampolim. A competição de Trampolim (Individual e Sincronizado) é caracterizada por três passagens: Série Obrigatória ou 1 e Série Facultativa (Preliminares) e mais uma Série Facultativa nas finais. Cada passagem consiste em realizar 10 elementos técnicos consecutivos.

2. Duplo Minitrampolim: na competição de Duplo Mini-Trampolim existem 4 passagens. Duas nas preliminares e mais outras duas nas finais da competição. Cada passagem consiste em realizar o primeiro elemento técnico em uma das seguintes áreas: “Mount” ou “Spotter” seguido de mais um elemento técnico na área designada “Dismout”, constituindo assim dois elementos técnicos por passagem.

3. Mini-Trampolim: Na competição de Mini-Trampolim existem 3 passagens. Estas constituem um concurso único, não existindo lugar a preliminares e finais nesta especialidade. Cada passagem consiste em realizar apenas um elemento técnico (salto), após uma corrida de aproximação ao aparelho, devendo o ginasta realizar uma recepção estável em pé, dentro da área devidamente delimitada para o efeito.

4. Tumbling: esta disciplina é extremamente espectacular e requer reacções dinâmicas, consciência espacial, coordenação, força e coragem. Os exercícios não ultrapassam mais do que alguns segundos mas requerem vários anos de trabalho árduo. O ginasta ganha a velocidade e o poder executando ao longo de uma pista de 25 metros uma série dos mortais e de piruetas. Os ginastas de classe superior executam exercícios compostos por dois duplos mortais, conseguindo os melhores realizar três duplos mortais, com ou sem piruetas. As séries têm uma duração entre os 4 e 5 segundos, conseguindo os ginastas realizar alguns elementos técnicos a 4 e 5 metros de altura.



3. CARACTERIZAÇÃO DOS APARELHOS

3.1. O Trampolim
3.2. O Duplo Mini Trampolim
3.3. O Mini Trampolim
3.4. O Tumbling

3.1. O TRAMPOLIM

Segundo descrito nas páginas web da Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acribáticos, o Trampolim é constituído por uma estrutura metálica, com uma lona central constituída por tiras de nylon com 4 ou 6 mm de largura, esta lona é anexada à estrutura metálica através de 120 molas de metal. A cobrir a estrutura e as molas, encontra-se uma parte de segurança constituída por espuma, que impede os ginastas ter um contacto directo com estas superfícies em caso de erro na execução da série.
Sendo a segurança uma temática primordial é importante reforçar-lá ao máximo. Segundo Carvalho (2009) devem estar sempre quatro ajudantes à volta do mesmo, os colchões deverão cobrir o solo à volta do trampolim e as plataformas de segurança devem ser colocadas nos topos do trampolim.
As dimensões dos colchões estão devidamente regulamentadas. No Trampolim as dimensões dos colchões de segurança são de 300 x 200 x 20 cm


3.2. O DUPLO MINITRAMPOLIM

Tal como descrito nas páginas wed da Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acrobáticos, o Duplo Minitrampolim era constituído por dois Minitrampolins sendo modificada até aos dias de hoje. A primeira parte do Duplo Minitrampolim, a que tem um ângulo ascendente, é denominada de “Mount”, sendo a segunda parte (horizontal) denominada de “Spotter/Dismount”. A estrutura do aparelho é metálica com 3.5 metros de comprimento e aproximadamente 2 metros de largura. A altura do DMT é aproximadamente 70 cm. A lona é constituída por tira de nylon de 15 mm de largura, sendo anexadas à estrutura por molas metálicas.
A recepção é efectuada sobre uma superfície de colchões com dimensões as seguintes dimensões 300 x 600 x 30 cm, estando delimitada uma área óptima de recepção de 200 x 400 cm.


3.3. O MINITRAMPOLIM

No que concerne à estrutura física do Minitrampolim pode-se dizer que é constituído por uma estrutura metálica com 120 x 120 cm. A lona é semelhante à descrita do Duplo Mini-Trampolim com a dimensão de 70 x 60 cm, anexada à estrutura por molas metálicas.
A recepção é efectuada sobre uma superfície de colchões com dimensões as seguintes dimensões 300 x 600 x 30 cm, estando delimitada uma área óptima de recepção de 200 x 400 cm.


3.4. O TUMBLING

Antes da pista em que se realizam as séries do Tumbling encontra-se uma zona de corrida com um comprimento máximo de 11 metros. As pistas em que se realizam as séries propriamente ditas são de 25 metros de comprimento e de uma largura compreendida entre os 185 e 200 cm, terminando a área de recepção com medidas compreendidas entre 300 x 600 x 30 cm. Dentro da área de recepção existe uma zona óptima para recepção com 200 x 300 cm.
As pistas de Tumbling são constiuído por secções de fibra de vidro, cobertas por um rolo que permite ao ginasta correr e saltar por cima da pista.


4. CÓDIGO DE PONTUAÇÃO

Tal como descrito no item do Código de Pontuação da Ginástica Rítmica (ver no item da barra lateral), também os Trampolins se regem por um código próprio e devidamente definido. Neste estão descriminados todos os elementos técnicos possíveis de apresentar e o respectivo valor técnico, normas de competição, níveis de segurança e estão também identificados os erros de execução e respectivas penalizações (Carvalho, 2009).
As normas de segurança e as séries de cada aparelho já foram referidas no ponto anterior aquando da caracterização dos aparelhos.
No que concerne às categorias podemos dizer que cada atleta se encaixa no seu escalão consoante a sua idade:

5. NOTA DE DIFICULDADE E NOTA DE EXECUÇÃO

Segundo Carvalho (2009), a modalidade possui identificados os elementos técnicos possíveis de apresentar em competição. Os saltos estão perfeitamente definidos quanto aoseu valor e à técnica de execução. Estão também devidamente identificados os erros de execução e as falhas são penalizadas também com valores previamente definidos.
A dificuldade de cada elemento técnico varia consoante o número de mortais e piruetas.
Por exemplo:
1/4 mortal = 0.10pt
1/1 mortal = 0.40pt
1/2 pirueta = 0.10pt
1/1 pirueta = 0.20pt
As deduções também bem definidas como por exemplo:
Pernas - até 0.30pt
Pés - até 0.20pt
braços - até 0.20pt
Corpo - até 0.30pt
Recpções - até 0.10pt

6. NOTA FINAL

NOTA FINAL = NOTA DE DIFICULDADE + NOTA DE EXECUÇÃO

NOTA DE DIFICULDADE - Somatório do valor dos elementos técnicos que compõem as diferentes séries
NOTA DE EXECUÇÃO - Somatório das penalizações subtraídas à nota máxima de 10 pontos

7. TRAMPOLINS NA ESCOLA

As características físicas dos trampolins propocionam sensações fantásticas inerentes ao corpo no espaço aéreo. Por este motivo é extremamente popular e motivante entre os mais jovens.
Segundo descrições encontradas no site oficial da Federação Portuguesa de Trampolins e Desportos Acrobáticos houve muitas críticas que afirmavam que o trampolim era uma actividade perigosa devido à sua eleveda deformação elástica e que consequentemente permite atingir alturas consideráveis.
É fácil de entender através destas descrições que deve haver um cuidado extremo ao introduzir a modalidade nas escolas. Segundo Carvalho (2009) a segurança terá de ser maximizada através do controlo:
- da qualidade do material;
- da disposição do material no espaço da aula;
- da progressão e tempo de aperfeiçoamento dos saltos;
- das vivências anteriormente vividas;
- das ajudas.
Devido a diferença de acção-reacção da superfície elástica relativamente ao solo, nem sempre é rapidamente apreendido o controlo desta. Neste sentido, em qualquer escola ou local de trabalho, é fundamental e imprescendível, independentemente da idade, a familarização aos aparelhos de forma progressiva.

CONCLUSÃO

Sendo a Ginástica Rítmica e os Trampolins modalidades muito complexas, a primeira porque engloba vários aparelhos e alto nível de execução e a segunda porque exige uma movimentação muito diferenciada no ar e também um alto nível de execução, não estão ao alcance da maior parte dos jovens. No entanto, é necessário que as pessoas, professores ou treinadores, tenham conhecimentos mínimos e sobretudo saibam que, apesar de termos jovens que não são capazes de executar exercícios complexos, há uma série de exercícios simples que podem ser trabalhados nos Clubes de Ginástica e até nas escolas.
Assim, este trabalho pretende ser um ponto de partida para todos quantos gostam da Ginástica Rítmica e Trampolins e se interessam por estas modalidades.
Enquanto futuros profissionais em Educação Física e Desporto enaltecemos o contributo importante que este trabalho traz na nossa formação e o quanto nos ajudou a reflectir, consciencializando-nos sobre os mais variados aspectos da Ginástica Rítmica e Trampolins.

BIBLIOGRAFIA

Caçola, P. (2007). A Iniciação Esportiva na Ginástica Rítmica. Revista Brasileira de Educação Física, Esporte, Lazer e Dança, v.2, n.1, 9-15.

Cardoso, A. (2009). Avaliação do Nível de Dificuldade de Aparelho dos Exercícios Individuais de Competição de Ginástica Rítmica das Ginastas Portuguesas dos Escalões Juvenis e Júnior. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física, Universidade do Porto.

Carvalho, J. (2009). Ginástica Rítmica, In Sebenta de Sistemática dos Desportos II – Ginástica, Fafe: Escola Superior de Educação de Fafe

Carvalho, J. (2009).Trampolins, In Sebenta de Sistemática dos Desportos II – Ginástica, Fafe: Escola Superior de Educação de Fafe

Carvalho, M. (2006). Estudo da Frequência Cardíaca e análise dos elementos técnicos em exercícios de conjuntos de GR. Faculdade de Ciências do Desporto e de Educação Física, Universidade do Porto.


Livros de apoio:
Costa, M.; Costa, A. (2006). Ginástica Rítmica. Educação Física 7/8/9. Areal Editores.


Sites consultados:
http://www.efdeportes.com/efd98/tramp.htm
http://www.fptda.org/
http://www Tramp.com.pt
http://www.gympor.com/